Network Design contribui para o planejamento de supply chain

As cadeias de suprimentos são parte sensível das empresas. Tanto que gerenciar as redes de supply chain é tarefa complexa, requer constante evolução e demanda suporte de soluções inteligentes. Isso em tempos normais — se é que eles realmente existam em um mundo tão dinâmico. Mas, a complexidade aumenta quando a empresa planeja um crescimento e necessita ampliar sua cadeia na forma de novos ativos, sejam plantas ou centros de distribuição. Nesse caso, é um grande diferencial ter um Supply Chain Network Design.

Além de trazer benefícios claros para os negócios que almejam crescimento, esse projeto de rede da cadeia de suprimentos também é decisivo quando se busca o inverso. Um exemplo prático: há uma retração na demanda e é decisivo para a empresa desinvestir para reduzir custos. Outras situações comuns seriam em casos de mudanças significativas que influenciam na entrega, como legislação tributária, benefícios fiscais, etc.

Índice

Supply Chain Network Design

O Supply Chain Network Design descreve o processo de elaborar e/ou revisar uma cadeia de suprimentos. Ele permite que a empresa coloque os produtos no mercado de acordo com os custos e níveis de serviço estrategicamente definidos pelo seu board.

Em nível estratégico, possibilita que a empresa possua os ativos corretamente dimensionados e posicionados — sejam plantas ou centros de distribuição, por exemplo — para garantir em nível tático e operacional o atendimento da demanda com os custos e graus de serviço estrategicamente definidos.

Como desenvolver o Supply Chain Network Design

Dois profissionais corporativos analisando um painel digital holográfico com gráficos de previsão de demanda, dados de Capex e simulação de rotas, ilustrando a fase de desenvolvimento de um projeto de Supply Chain Network Design.
O embasamento em dados e a simulação de cenários são passos fundamentais para o desenvolvimento assertivo do Network Design.

Antes de tudo, é preciso definir quais são os objetivos do que se pretende, principalmente o nível de serviço com o qual a empresa espera atender o mercado a partir de uma mudança.

Em seguida, deve-se reunir dados de apoio sobre todas as informações que influenciam direta ou indiretamente no fornecimento. Isso inclui todas as áreas da empresa: suprimentos, produção, logística, fiscal e controladoria.

Estamos falando de:

  • Demanda por produto/família;
  • Oferta de matérias-primas;
  • Locais candidatos ao posicionamento de novos ativos;
  • Capex dos investimentos (centros de distribuição, por exemplo);
  • Custos logísticos: frete e tributos;
  • Benefícios fiscais, etc.

Muitas dessas informações, como o histórico de vendas, estarão disponíveis no ERP e serão necessárias no cálculo da previsão da demanda futura. A empresa deve buscar outra parcela dos dados fora da instituição, principalmente aquelas relativas a frete, impostos e benefícios em localidades candidatas a novos ativos.

O próximo passo é representar o supply chain na forma de um modelo matemático prescritivo de otimização e suportado por Inteligência Artificial. A solução irá simular virtualmente — e de forma integrada — todos os elos da cadeia de fornecimento.

Mais que isso: conseguirá analisar todas as alternativas de investimento e desinvestimento, e prescrever uma nova configuração de malha que irá maximizar o retorno financeiro da empresa.

O resultado do network design é:

  • Seleção e posicionamento de novos ativos;
  • Plano de aquisição de matérias-primas por fornecedor;
  • Plano de abastecimento inbound de matérias-primas por fornecedor x planta;
  • Plano de consumo de matérias-primas por planta produtiva;
  • Plano de produção por SKU/família;
  • Plano de transferência das plantas para os centros de distribuição e/ou locais de crossdocking por SKU/família;
  • Nível de utilização das capacidades produtivas e logísticas;
  • Identificação dos gargalos.

Tecnologia maximiza fluxo de caixa descontado

Há softwares no mercado que se propõem a fazer o Supply Chain Network Design, com componentes que incluem restrições de capacidades produtivas e logísticas, requisitos de nível de serviço, leadtime de entrega e custos de frete por modal.

No entanto, selecionar uma ferramenta de prateleira exige uma análise de aderência prévia para mapear se ela realmente cobre os pontos relevantes (e, eventualmente, específicos) necessários.

A melhor alternativa para o Network Design são os modelos matemáticos construídos sob medida. Por meio de ferramentas de modelagem matemática suportadas por inteligência artificial, é possível obter aderência máxima aos requisitos de negócio, como no caso da legislação tributária e dos benefícios fiscais que, no Brasil, são desenhados de forma específica por unidade da federação.

No caso do ICMS, por exemplo, é comum que transferências interestaduais paguem alíquotas menores que dentro do próprio estado. Isso faz com que, em uma operação otimizada do ponto de vista de custo outbound, os produtos viagem mais para garantir compensações tributárias vantajosas — ainda que haja aumento na conta de frete.

Além disso, do ponto de vista estratégico, condiciona os investimentos em locais que potencializarão a minimização do custo outbound no longo prazo. Com isso, nem sempre os centros de distribuição são posicionados o mais próximo possível dos seus mercados.

Fases do projeto: modelagem matemática e IA

Imagem dividida ao meio ilustrando a evolução do planejamento logístico. À esquerda, o cenário manual com mapas de papel e calculadoras. No centro, um cérebro luminoso com a sigla IA. À direita, o cenário futuro com o Supply Chain Network Design otimizado, mostrando painéis digitais, rotas, gráficos de demanda e uma balança simbolizando o equilíbrio entre custo e nível de serviço.
A aplicação da Inteligência Artificial (IA) e da modelagem matemática transforma o planejamento manual em cenários futuros otimizados, testando variáveis de demanda para encontrar o melhor custo-benefício.

No início de um projeto de network design, a equipe analisa o supply chain para gerar diversos cenários, emulando a operação e o desempenho com as malhas e ativos atualmente existentes. Tudo em métricas diversas como nível de serviço e lucratividade.

Depois, são iniciadas a geração e a análise de cenários com variações na malha atual, na forma de investimentos e desinvestimentos em ativos. Os cenários futuros são comparados aos atuais para que sejam avaliados os impactos que a “variação” terá no desempenho.

Considerando ainda os custos de investimento (Capex), é possível selecionar, dentro os vários cenários, aquele de melhor relação custo-benefício e que será, de fato, implementado.

Por fim, a robustez do cenário escolhido pode ser testada variando seus inputs. É possível avaliar, por exemplo, o impacto no desempenho do supply chain segundo cenários com diferentes níveis de demanda: mais otimista, mais provável ou mais pessimista.

Esse tipo de projeto permite que a empresa opere o supply chain em um ponto de equilíbrio entre nível de serviço e custo de entrega. Dessa forma, a empresa atenderá os clientes com um nível de serviço adequado e preservará sua lucratividade.

Como a UniSoma pode contribuir?

Fachada da empresa UniSoma.

Há mais de 40 anos a UniSoma auxilia empresas líderes de mercado a vencerem seus desafios de tomada de decisões de forma integrada e otimizada.

Temos a expertise em modelagem matemática e a experiência em projetos de network design que garantem que o supply chain seja corretamente representado e modelado, tanto na opção de software de prateleira, o Prognos, que condensa uma série de funcionalidades para resolver problemas de previsão de demanda, quanto na opção sob medida.

Conheça os modelos matemáticos da UniSoma e veja como podemos contribuir com a complexidade do supply chain da sua empresa.

* Por Eduardo Medeiros Milanez, Partner da UniSoma 

Com MBA em Finanças Empresarias pela FACAMP, Eduardo é Mestre em Engenharia Elétrica pela Unicamp e Engenheiro de Mecânica-Aeronáutica pelo ITA.

Perguntas Frequentes sobre Network Design (FAQ)

O que é Network Design em supply chain?

Network Design (ou Supply Chain Network Design) é o processo de projetar, estruturar ou revisar uma cadeia de suprimentos. Ele define quais ativos a empresa deve ter — plantas produtivas, centros de distribuição, pontos de crossdocking — e onde eles devem estar posicionados para que a empresa consiga atender o mercado com o nível de serviço desejado e ao menor custo possível.

Quando uma empresa precisa fazer um projeto de Network Design?

Um projeto de Network Design é indicado em ao menos quatro situações: (1) quando a empresa planeja crescimento e precisa ampliar sua malha com novos ativos; (2) quando há retração de demanda e é necessário desinvestir para reduzir custos; (3) quando ocorrem mudanças na legislação tributária ou surgem novos benefícios fiscais; e (4) quando a empresa percebe desequilíbrio entre nível de serviço e custo de entrega.

Quais dados são necessários para realizar um Network Design?

O processo exige dados de múltiplas áreas da empresa, incluindo: demanda histórica e prevista por produto ou família, oferta de matérias-primas, locais candidatos para novos ativos, CAPEX dos investimentos, custos logísticos (frete e tributos), e benefícios fiscais por localidade. Uma parte significativa desses dados vem do ERP; outra precisa ser levantada externamente, especialmente dados de frete e impostos regionais.

Qual a diferença entre um software de prateleira e um modelo sob medida para Network Design?

Softwares de prateleira oferecem funcionalidades padronizadas e podem cobrir casos mais genéricos. Já os modelos construídos sob medida por meio de modelagem matemática e inteligência artificial garantem aderência máxima às especificidades do negócio — como a complexidade da legislação tributária brasileira, que varia por unidade da federação e impacta diretamente a estratégia de posicionamento de centros de distribuição.

Como o ICMS influencia as decisões de Network Design no Brasil?

No Brasil, transferências interestaduais frequentemente pagam alíquotas de ICMS menores do que operações dentro do mesmo estado. Isso cria uma lógica de otimização em que produtos percorrem distâncias maiores para garantir compensações tributárias vantajosas — mesmo que o custo de frete aumente. Um modelo de Network Design bem calibrado captura essa variável e a incorpora à decisão de onde posicionar os centros de distribuição.

Quais são os resultados esperados de um projeto de Network Design?

Os principais entregáveis de um projeto de Network Design incluem: seleção e posicionamento de novos ativos, plano de abastecimento de matérias-primas por fornecedor e planta, plano de produção por SKU ou família, plano de transferências entre plantas e centros de distribuição, mapeamento do nível de utilização de capacidades produtivas e logísticas, e identificação de gargalos operacionais.

Como a Inteligência Artificial é usada no Network Design?

A IA é utilizada para suportar modelos matemáticos prescritivos de otimização que simulam virtualmente todos os elos da cadeia de suprimentos. Com isso, é possível analisar centenas de combinações de investimentos e desinvestimentos, comparar cenários futuros com o estado atual e prescrever a configuração de malha que maximiza o retorno financeiro — incluindo o fluxo de caixa descontado de longo prazo.

Quanto tempo leva um projeto de Network Design?

A duração varia conforme a complexidade da cadeia e o escopo do projeto. O processo passa por fases bem definidas: análise do supply chain atual, geração de cenários com variações de malha e ativos, comparação de desempenho entre cenários, seleção do cenário de melhor custo-benefício e teste de robustez com diferentes projeções de demanda (otimista, provável e pessimista).

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