Reforma Tributária e network design: por que repensar a malha logística já em 2026

A relação entre Reforma Tributária e network design passa a ser um dos temas mais estratégicos para empresas que operam cadeias de fornecimento complexas no Brasil. Embora a entrada plena do novo sistema tributário esteja prevista apenas para 2033, as decisões que determinam eficiência da malha logística não podem esperar até lá.

Mudanças estruturais — como abrir, fechar ou realocar centros de distribuição (CDs) – exigem estudos, investimentos e tempo de execução. E é exatamente por isso que 2026 marca um ponto de inflexão: o início da transição tributária e, ao mesmo tempo, um teste de maturidade para as operações de supply chain.

Neste conteúdo, mostramos, com a contribuição do especialista em supply chain Eduardo Milanez, por que 2026 é o ano em que as decisões precisam começar, o que muda na prática com a Reforma Tributária e como as empresas podem se preparar, desde já, por meio de estudos estruturados de network design.

Índice:

Reforma Tributária e network design: por que 2026 é um ano-chave

Infográfico horizontal ilustrando o cronograma oficial de transição da Reforma Tributária no Brasil. Quatro marcos temporais conectados por setas indicam: 2026 (Início dos testes e adaptação), 2027 (Cobrança efetiva da CBS), 2029 a 2032 (Transição e redução do ICMS) e 2033 (Novo Modelo Pleno).
A transição tributária começa em 2026: entenda os marcos temporais que exigem a revisão imediata do seu network design e planejamento logístico.

O cronograma oficial da Reforma Tributária prevê uma transição gradual:

  • 2026: início da cobrança simbólica da CBS e do IBS, voltada a testes e adaptação;
  • 2027: extinção do PIS e da Cofins e cobrança efetiva da CBS;
  • 2029 a 2032: redução progressiva de ICMS e ISS;
  • 2033: entrada plena do novo regime, com extinção das obrigações estaduais e municipais e uso do CNPJ como única inscrição fiscal.

Legenda:

CBS: Contribuição sobre Bens e Serviços
IBS: Imposto sobre Bens e Serviços
ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
ISS: Imposto sobre Serviços


Ainda que a cobrança inicial do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) tenha caráter simbólico, ela inaugura uma nova fase: a de testes, ajustes e visibilidade concreta dos impactos operacionais.

Esse período funciona como um verdadeiro “ensaio geral”. É nele que as empresas passam a enxergar, na prática, como suas estruturas atuais reagem a um modelo tributário menos distorcido — e é justamente aí que decisões estruturais começam a se impor.

No centro dessas decisões está o network design: o desenho da malha logística que define onde operar, como atender o mercado e a que custo. Para entender por que a reforma muda tanto o jogo, é preciso olhar para o cenário atual.

O legado do modelo atual: quando o imposto define a logística

Hoje, a formação de preços e o desenho das cadeias de fornecimento no Brasil são fortemente influenciados por regimes especiais e incentivos regionais — como os da Zona Franca de Manaus ou benefícios específicos de ICMS concedidos por determinados estados.

Ao longo do tempo, o modelo do ICMS, com alíquotas definidas estado a estado, criou distorções relevantes. Em alguns casos, transferir mercadorias entre estados tornou-se mais barato do que movimentá-las dentro do próprio estado.

Como consequência, decisões de localização passaram a ser guiadas muito mais por planejamento tributário do que por critérios operacionais clássicos, como:

  • Custo de frete;
  • Lead time;
  • Capacidade;
  • Nível de serviço.

A concentração histórica de centros de distribuição em Extrema (MG) ilustra bem esse fenômeno. A escolha da região foi impulsionada menos por vantagens logísticas naturais e mais por benefícios fiscais. Esse tipo de arranjo moldou a malha logística de inúmeras empresas brasileiras. E é exatamente essa lógica que a Reforma Tributária começa a desmontar.

O que muda na prática com a Reforma Tributária

Com a substituição do ICMS e do ISS por tributos de base ampla e alíquota uniforme, as distorções regionais tendem a diminuir significativamente, ampliando a incidência sobre bens e serviços, inclusive em operações antes não alcançadas.

Na prática, isso significa que o preço final dos produtos tende a refletir cada vez mais fatores reais de mercado — como custos logísticos, demanda, capacidade e nível de serviço — e cada vez menos decisões puramente fiscais.

Segundo Eduardo Milanez, o impacto é direto sobre cadeias produtivas tradicionais, aquelas que compram insumos, transformam esses insumos em produtos e os distribuem até o cliente final:

“A reforma tende a eliminar distorções criadas pelo ICMS. Antes, a tributação induzia decisões logísticas pouco intuitivas. Com uma alíquota geral e uniforme, as empresas terão que redesenhar suas malhas com foco em eficiência operacional”, diz o especialista da UniSoma.

Nesse novo contexto, a localização de fábricas, CDs e hubs deixa de ser uma equação predominantemente fiscal e passa a ser uma decisão estratégica. Agora, baseada em logística, serviço e experiência do cliente – e ainda com reflexos diretos em boas práticas de ESG.

Logística mais racional e a conexão com ESG

Infográfico comparativo dividido em duas partes. À esquerda, "Cenário Atual: Modelo Fiscal", ilustrando um Centro de Distribuição distante com uma rota de entrega longa e sinuosa motivada por incentivos fiscais. À direita, "Pós-Reforma: Modelo de Eficiência & ESG", mostrando um CD próximo ao cliente com uma rota direta e curta, simbolizando redução de custos e de emissões de CO2.
O fim da distorção logística: o infográfico contrasta o modelo atual, desenhado pela busca de incentivos fiscais em detrimento da distância, com o futuro pós-reforma, onde o network design priorizará a eficiência operacional e a redução da pegada de carbono.

A relação entre reforma tributária e network design também tem um efeito direto sobre a agenda de ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança). Com o fim das distorções fiscais, manter CDs distantes dos centros consumidores apenas por razões tributárias perde sentido econômico e estratégico.

Isso tende a encurtar distâncias, reduzir quilômetros rodados, diminuir custos de transporte e reduzir emissões de CO₂.

“O ICMS atual é, em muitos aspectos, anti-ESG. Ele induz deslocamentos desnecessários. A reforma traz mais racionalidade e aproxima a operação dos mercados consumidores”, afirma Milanez.

Nesse novo cenário, a tributação deixa de ser a variável dominante no planejamento da malha e passa a ser uma variável entre outras.

Por que os estudos de network design precisam começar agora

Apesar de a redução efetiva de ICMS e ISS só começar em 2029, executar mudanças na malha logística leva tempo. Construir um novo CD, fechar uma operação existente ou redesenhar fluxos não é algo que se faz rapidamente.

Além disso, o período de transição exigirá que as empresas convivam simultaneamente com dois sistemas tributários, aumentando a complexidade operacional e a necessidade de modelagens mais sofisticadas.

Nesse contexto, os estudos de malha logística, frequentemente chamados de network design, são uma solução bastante aderente. Eles avaliam cenários de abertura, fechamento ou realocação de ativos para readequar a rede de forma estruturada. Para que sejam efetivos, precisam ser baseados em  algoritmos que considerem todas as novas estruturas tributárias.

Empresas que atualizam seus modelos conseguem reduzir custo de entrega, melhorar nível de serviço e se aproximar mais do cliente enquanto concorrentes ainda operam com uma malha desatualizada.

Exemplo de decisões orientadas por network design

A partir de hipóteses estruturadas – como crescimento projetado da demanda, restrições de capacidade, custos de transporte, níveis de serviço desejados e as novas regras tributárias –, os algoritmos de network design passam a simular cenários integrados de médio e longo prazo.

Para uma empresa com fábrica localizada no estado de São Paulo, por exemplo, a análise pode indicar uma sequência coordenada de decisões, e não apenas um movimento pontual, como:

  • Fechar um centro de distribuição em dois anos, hoje mantido principalmente por ganhos tributários;
  • Abrir uma nova operação mais próxima da planta industrial, equilibrando custo e tempo de resposta;
  • Expandir gradualmente a malha no Nordeste em quatro anos, acompanhando o crescimento da demanda regional.

O diferencial desse tipo de análise está em avaliar todas essas decisões de forma conjunta. O algoritmo considera como o fechamento de um ativo impacta os demais, como a abertura de um novo ponto redistribui fluxos e como essas mudanças afetam custos totais, emissões, prazos de entrega e utilização da capacidade ao longo do tempo. Mais do que responder “onde abrir ou fechar um CD”, o network design permite responder “quando fazer cada movimento” e “qual é a melhor sequência de transição da malha”, evitando decisões reativas, mais caras e menos eficientes.

Como a UniSoma apoia as empresas nesse processo

É nesse cenário que a UniSoma se posiciona como parceira estratégica. A empresa atua com estudos de malha logística (network design) que integram:

  • Hipóteses de crescimento de demanda;
  • Capacidades operacionais;
  • Custos logísticos;
  • E, agora, as mudanças progressivas da Reforma Tributária.

Esses estudos permitem simular cenários e construir cronogramas realistas de abertura e fechamento de ativos, preparando a malha logística para o cenário de transição e para o modelo pleno de 2033.

Para empresas com maior maturidade analítica, a UniSoma também oferece ferramentas que permitem rodar essas análises internamente, com apoio especializado.

“Nosso papel é representar essas mudanças dentro dos algoritmos, considerando como elas evoluem ao longo do tempo, para que a empresa planeje bem a transição”, resume Milanez.

Planejar agora é o verdadeiro diferencial competitivo

A Reforma Tributária altera a lógica de planejamento das cadeias de fornecimento. Empresas que iniciam seus estudos agora ganham tempo para testar cenários, ajustar decisões e executar mudanças. As que deixam para depois correm o risco de operar, por anos, em uma malha que já não é ótima – nem em custo, nem em nível de serviço.

Quer entender como a Reforma Tributária impacta a sua malha logística e quais decisões precisam ser tomadas agora?

Fale com a UniSoma e descubra como os estudos de network design podem preparar sua operação considerando o novo sistema tributário.

Perguntas Frequentes sobre Reforma Tributária e Logística

1. Como a Reforma Tributária impacta o Network Design das empresas?

A reforma elimina gradualmente a guerra fiscal (como incentivos de ICMS), fazendo com que a localização de CDs e fábricas passe a depender mais da eficiência logística e proximidade do cliente do que de benefícios tributários

2. Por que iniciar os estudos de malha logística antes de 2026?

Embora a transição plena ocorra em 2033, 2026 marca o início da cobrança (IVA dual) e testes. Mudanças estruturais (abrir/fechar CDs) levam tempo. Começar agora permite testar cenários e planejar a transição de forma escalonada e segura.

3. O que muda na prática com o fim dos incentivos fiscais regionais?

Sem as distorções do ICMS, manter operações distantes do consumo apenas por razões fiscais perde sentido. A tendência é uma malha mais racional, com menores distâncias percorridas, redução de custos operacionais e ganhos em ESG.

4. Como a UniSoma utiliza algoritmos para planejar a transição tributária?

Utilizamos modelagem matemática avançada para simular cenários complexos que integram custos logísticos, projeção de demanda e as novas regras tributárias progressivas, indicando não apenas “onde”, mas “quando” realizar cada mudança na malha.